Do abandono à repressão: Como o Estado empurra a juventude das periferias para o crime
Entre violência policial e abandono educacional, o jovem que vive em regiões majoritariamente periféricas está na fronteira entre o grande risco de opressão por parte do Estado e com uma vulnerabilidade extravagante para a entrada ao início de práticas criminais.
O patrono da educação brasileira, Paulo Freire, afirmava que o sujeito oprimido, em um espaço de tempo, tende a se transmutar em opressor. Ligado a isso, podemos observar a efetividade dessa citação com os jovens diariamente sofrendo violência psicológica e física financiada pelo poder dos ricos, como — por exemplo — a violência policial, que há muitos anos é discutida, mas nunca tratada de maneira séria para uma finalidade de extinção desta prática. O adolescente que sofreu agressões e ameaças repentinas de forças militares, consequentemente, originará um sentimento de revolta e vingança por sua parte, e encontrando a possibilidade de realização dessa vontade no crime. Tornando-se válida a afirmação feita anteriormente, ele se transforma de oprimido para opressor.
A escola causa um desinteresse enorme nos estudantes localizados em cidades afastadas dos grandes centros, pelo fato de ser mais um órgão de opressão estatal. Essas instituições são esquecidas, sofrem um sucateamento exacerbado, onde não possuem sequer o devido estímulo ao aluno despertar prazer de aprender. Não acreditamos que tamanha ação com sua dimensionalidade seja causada de modo não proposital, o sistema reconhece, sim, que esta causa reflete em um dano em todo o avanço da nossa sociedade brasileira.
O que os detentores de poder anseiam é a aniquilação e a desmoralização da população negra e pobre que mora em favelas. O único e mais efetivo forte que poderia mudar todo esse cenário em descaso é a educação, porém, é extremamente lucrativo a presença de menores infratores para o Estado que visa somente a obtenção deste fator.
Coloquemos em análise um assalto, se há perda de um produto já comprado que estava na posse de um cidadão, haverá a necessidade novamente da compra, ocasionando na famosa e velha lei da oferta e demanda. No capitalismo é inútil acabar com a criminalidade e, sim, controlá-la.
Entretanto, se tivéssemos uma educação abrangente, como ocorreu na década de 1980 com os CIEPs, um projeto do Darcy Ribeiro e Leonel Brizola que visava um ensino integral com uma instituição com a devida estrutura, onde era oferecido cursos profissionalizantes e aprendizado de qualidade para meninas e meninos vulneráveis à criminalidade e às drogas, o nosso avanço em todos os setores iria crescer exponencialmente. Porém, só conseguiríamos conquistar tamanha causa com uma luta conjunta da classe oprimida e da juventude disposta ao movimento.
A realidade das escolas presentes em bairros citados anteriormente, não possuem bibliotecas (algo que é assegurado por lei, não tem prática alguma em regiões esquecidas pelo Estado), laboratórios, quadra para atividades esportivas… Como o estudante terá prazer de estar em um local predominantemente insalubre para as condições oferecidas? As conquistas iniciarão somente quando houver uma organização maior dos discentes, e, em especial, com maiores atividades e instauração de grêmios estudantis. É necessário ter a mobilização das organizações de juventude para visar o setor qualitativo das escolas e ensino delas.
Não é interessante colocarmos em uma pessoa ou em um grupo, a carga para mudar a atual situação. Somente em coletivo conseguiremos mudanças e o devido reconhecimento. Há de ter a própria conscientização, também, por parte da atual juventude marginalizada para destinar-se à luta, em tudo — como fundamento — é necessária uma organização obrigatória em prol de conquistas.
Cobram dos estudantes notas excelentes nos vestibulares e no ENEM, todavia não analisam, sequer, como está a realidade de ensino do aluno oprimido nos corredores da escola, na rua e em casa, geralmente.
Por: João Antônio Gomes
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