Freire, espantalho ou patrono?

Em meio a sociedade brasileira polarizada, costumamos ouvir de educadores, palestrantes e falsos freireanos de que Paulo seria o patrono da educação brasileira, em contrapartida, ouvimos de coaches, políticos e agitadores críticas que poderiam ser até válidas, se não fossem um aglomerado de Ad hominem na tentativa de descredibilizar seu método cujo os mesmos não o leram, e cujo é possível olhar ao redor e percebe o quanto ambos são rasos nos seus argumentos.

Se fosse preciso classificar o nível de perigo presente no discurso de ambos, certamente a 2· opção poderia ser facilmente ignorada - a segunda sequência de adjetivos - como eu disse, sua argumentação não passam nem da costa da praia, já o segundo é fácil de notar mas difícil de aturar, uma muralha da China que se prostram a degradar aquilo que Paulo um dia escreveu, que reproduzindo o fruto de sua crítica, se volta contra quem deveriam apreciar, e criam um espantalho meramente teológico, rompendo a principal forma de ação presente em Freire, a práxis, não pensam e não agem, e se for para agir com o estudo que fazem, melhor que continuem imóveis.

Não se reproduz o que um dia Freire fez, por que não tem coragem ou... dinheiro? Fato é que apenas tentam sugar até a última gota do que foi deixado, mas não por uma visão empática, humanista ou até mesmo pós humanista, mas bancária, a falsa leitura que se é divulgada, um falso estudo que opera nas ferramentas rejeitadas, inconscientemente se tornam a reação do capital freando o pensamento libertário, ou domesticando seu agente de perigo em potencial.

Não se trata aqui de quem estuda, mas sim de como estuda, jamais alguém iria entender Paulo em sua completude nos seios da educação bancária, e jamais poderiam fazer jus ao seu nome nessa mesma instituição, como a classe média hoje em dia faz.

É muito fácil sair por aí e encontrar palestras que invocam Paulo como o grande educador brasileiro, o patrono, vossa alteza, o rei, mas de fato ele é? Como Paulo que criticou severamente essa alienação que está presa a educação poderia se tornar patrono da mesma? É simples, não pode, a menos que seja um espantalho ou um Doppelgänger.

Assim como muitas outras figuras pernambucanas e revoltadas como Chico Science, Marighella e outros marxistas, Paulo reaparece apenas como teórico nacionalista que o Brasil um dia teve, o nome de um grupo, rua ou escultura de praça, um mero troféu de copa cuja teoria é exportada com orgulho mas com zero entendimento, se trata mais de um sentimento patriótico, que pra ser sincera, melhor que tivesse continuado assim.

Paulo não é patrono de nada, e isso é chocante para alguns pois podem me confundir como uma fanática, a questão é que Paulo nunca foi levado a sério por nós, brasileiros, educadores e educadoras que se prostram a guiar uma leitura rasa e blasfema de suas obras.

Na sua obra mais famosa, lida de forma independente, é perceptível ver o quanto a crítica do velho é atual, até mesmo para aqueles que hoje falam em seu nome, e é em verdade que Paulo nunca foi utilizado.

Isso porque a sua ala germinativa é fraca, uma ala que tenta se adequar a velha estrutura, uma ala sem crítica, uma terra bancária, um território onde até mesmo os dito marxistas são rasos, são fracos e pequenos, mas não de alcance ou tamanho, mas teórico, os marxista que adoram carregar cadáver do século XIX e que se curvam aos pés do oruam implorando pela politização.

Paulo não tem terra para germinar, chamar o que hoje é difundido de sua teoria é chamar uma orquídea de Rosa, seu título é expresso em centavos, sua falsa escola democrática ainda esconde sua vertente hierárquica, e o discente continuam seguindo seu mesmo padrão de injeção, agora não mais proibido de questionar, mas sobrecarregado de questões, de conteúdos, conteúdos que não representam nada mais do que a garantia da ficha 19, ou seja, da conclusão do ensino médio por provas.

Não se há programa alfabetizador de 3 etapas, nem mesmo da primeira, não se há preocupação com o novo tipo de analfabetismo funcional e tecnológico, como a utilização da IA e seu parasitismo, que representa unicamente a degradação do homem e de seu pensamento, não se tem preocupação com a crescente cargo horária exaustante, não se há preocupação com o Burnout, não se há um sistema de apoio ao estudante, não se olha o quão castradora é o aprendizado incentivado unicamente por provas, não se há preocupação com o ser, apenas vazias citações de suas obras para garantir a repetição de sua crítica de maneira distorcida, o sistema bancário, um pouco mais confortável.

Mas quem poderia esperar que tal vulgarização aconteceria, em um solo cujo a ala chamada “radical demais” por romper as belas faces do velho com seus levantes populares LGBT ou negros hoje se adapta para não ultrapassar a linha da conformidade, um movimento que descansa na luta de seus antepassados, um movimento que hoje tenta se adaptar, que não foca no indivíduo discriminalizado, mas que tenta mudar o agente do crime, e para isso tenta se encaixar mais próximo possível da suas pautas, desde populismo penal, até a manutenção da forma bancária, sem tentar mostrar o quão idiota é chamar alguém de assassino sem provas, ou de tentar virar essa mesa educacional necrófila.

Sabem quantas escolas usam o Paulo como exemplo? Nenhuma, e nem poderiam, todos que estiverem inclusos nessa lógica de mercado nunca poderão aplicar em sua completude, muito menos serão dignos de vestir sua camisa, até porque sua crítica ao sistema capitalista se tornou mera mercadoria, é triste, é revoltoso, mas esse é o Paulo que temos, um homem colocado em exposição, com órgãos trocados por moedas, inanimado, que reaparece todo dia de forma vulgar nas estampas da ferramenta do sistema educacional atual sem significado algum, os professores alienados.

Por: Nairóbi

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