O consumo ocupa o lugar da consciência
A alienação em massa resulta em uma robotização de grande parte da sociedade. Pessoas caminham de um lado para o outro sem saber o porquê e para onde estão indo, há uma necessidade catastrófica do sentimento de pertencimento a algum grupo social.
Necessidade que leva a compras desnecessárias que causam diversos danos no mundo, como, por exemplo, danos ao meio ambiente. Quando é citada a palavra “desnecessário” é estabelecido o conceito do típico feito de comprar camisa x — porém — originar, naquele momento, o anseio de comprar várias blusas da mesma, mas com cores variadas e, por fim, realizar aquele desejo materialista. Esse é um ato desnecessário causado por um fantasma vestido de marca, corrompido pelo famoso consumismo. Ele(a) não percebe tamanha ignorância no ato de comprar produtos, o que predomina é a visão de absorção e sede exagerada por comprar.
Atualmente, cerca de 53% da população brasileira não tem o hábito de ler. Entre os livros mais comprados, o que predomina são os classificados como “livros de colorir”, tamanha atitude é de extrema preocupação. Para onde o povo está caminhando? A alienação é um dos tópicos que mais desestrutura a população de um país, o articulador dessa ação é o nosso sistema. Essa atitude é absurdamente lucrativa e aconchegante para os grandes políticos e empresários. Com o povo em suas mãos, não há percentual de revolta, erro ou prejuízo. Simplesmente basta mobilizá-los que eles acatarão as ordens, obviamente, eles jogarão a classe trabalhadora para longe de livros informativos, para longe dos grandes centros… Eles querem que os moradores de favelas e periferias estejam somente colorindo desenhos com personagens “fofinhos” pensando que está tudo bem.
Somente a massa mobiliza para fins de luta de direitos, não coloquemos a possibilidade de benefício nosso em deputados, vereadores ou prefeitos, eles sequer sabem como é viver em bairros onde a pobreza predomina, onde não há rua asfaltada ou saneamento básico. Vivenciamos a realidade que pode ser mudada com organização e consciência de classe por parte nossa. O Estado teme quando tentamos ter uma organização.
O consumismo exacerbado é um dos diversos mecanismos de robotização do povo. Com as compras compulsivas, quem lucra é o grande burguês e o brasileiro médio se afunda cada vez mais nas dívidas, aumentando o percentual que já está em 46,6%. É de extrema importância a classe trabalhadora começar a consumir exageradamente conteúdos nos quais a qualifiquem, que gerem uma consciência do que realmente acontece ao nosso redor.
Poderíamos colocar, como base, a leitura que vem há séculos formando pensadores críticos. Não é de obrigatoriedade começar com um livro de 800 ou 1000 páginas, pelo contrário, o que estamos discutindo é o ato de ler, seja o livro pequeno ou grande. O importante é progredir mediante sua vontade e avanço intelectual. Há pessoas com diversos gostos com música, da mesma maneira são os livros, há pessoas que conseguem ler apenas textos com vocabulário de fácil compreensão, também existem pessoas que amam textos que exigem um entendimento mais aprofundado… O princípio de tudo é iniciar na base para sair da inércia.
Os textos levam o leitor(a) a visões que, às vezes, o sujeito não conseguiria sem o auxílio de um escritor. Deixemos de ser marionetes estatais, nos organizemos para mirar rumo a uma sociedade igualitária com maior justiça! Livrar-nos desse amontoado de ideais que alienam há anos é um processo, mas é importante entender, no interior do ser, aonde você deseja chegar batalhando por direitos e traçar um caminho para isso.
Por: João Antônio Gomes
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