O Socialista: №2 (27/Jul/1878)
Nota de transcrição/tradução
“É lógico? Talvez no império.”
O documento da segunda edição estava mais facilmente legível do que da primeira, principalmente devido ao fato de ser uma edição menor, contando com apenas três colunas por página ao invés de quatro. Tendo isso em vista, sua transcrição tornou-se mais fácil, e pouquíssimas partes ficaram ilegíveis — as que ficaram foram, num geral, devido a borrões ou amassos.
Fora a atualização ortográfica geral das palavras, foi também preciso mudar a pontuação em grande parte do texto. Em alguns momentos, havia excesso de vírgulas, já em outros, não havia quaisquer pontuação. No entanto, foi visado manter aqui o texto original de forma íntegra.
É necessário destacar que, naquele momento, falava-se o português brasileiro, e, há muito, já não o falamos mais. Nosso idioma desenvolveu-se de modo tão próprio e distinto do que era em relação ao português de Portugal que já não mais pode chamar-se assim. Portanto, o aqui presente não é meramente uma transcrição dum antigo documento, mas também, uma tradução.
A presente edição é menor, em detrimento do esforço e organização que, como ali mesmo já fora anunciado, a terceira edição tomava. A terceira edição do jornal contou com questões de exposição de doutrina e ideias, tendo como principal objetivo a propaganda.
O jornal não deve servir como nenhuma espécie de referencial para a luta socialista do presente, apesar de suas bandeiras ainda repercutirem como pilares da esquerda brasileira. Ele foi fruto de seu próprio tempo e, no momento histórico em que se encontrava, do segundo reinado do Brasil imperial, cumpriu com seu papel. Hoje, serve precisamente como documento histórico, digno de ser estudado e analisado.
Os documentos originais encontram-se no site da hemeroteca digital brasileira.
— Straw.
O SOCIALISTA
Órgão de um clube: Jornal político, chistoso e comercial.
Litere sunt ornamentum nobilitatis.
Não se recebem assinaturas. Número avulso 40 réis
ESCRITÓRIO E REDAÇÃO, RUA 1° DE MARÇO №15.
Ano 1. Sábado, 27 de julho de 1878. №2.
O SOCIALISTA
Os dois e as duas.
O que o telégrafo há pouco transmitiu é uma resultante.
Hödel e Nobiling são duas consequências: Guilherme e Bismark dois meros princípios.
Os primeiros obedeceram a uma grande lei, a da liberdade da pátria, o que é a teoria, e procuraram dar-lhe a liberdade, o que é a prática.
Os últimos julgaram-se baseados nos dois princípios infundados: conquista por direito, e direito por conquista.
Aqueles queriam o bem, que é o necessário; estes o mal que é o egoísmo.
Aqueles lutavam pela conquista das liberdades pátrias, pela vitória do bem geral sobre o bem individual; pela difusão da riqueza pública, o que conduz à riqueza da comuna, o bem pecuniário da nação. À grande resultante monotaria dos Estados, estes pela conquista da razão e da consciência, vencidas pela força da materialidade; pela militarização, pela opressão das classes obreiras, pela quase ressurreição dos feudos, dos fendatários e do feudalismo.
—
Julgar-se-ia que não, porque há oito anos deu-se a unidade alemã e a guerra franco-prussiana, isto é, uma federação absurda e uma luta [ilegível], uma vingança brutal.
A primeira foi a tentativa de fortificar o organismo dum colosso, organismo gasto pela lei do feudalismo, em que há senhor e escravo, proprietário e rendeiro, um homem que é tudo em frente de outro homem que nada é.
A segunda foi uma luta de vingança, o que é sempre uma baixaria.
Era um cataclisma; era um vórtex; era um abismo.
Tornou-se uma harmonia; tornou-se uma tranquilidade; tornou-se um bem.
Napoleão traiu a consciência, traiu a pátria, traiu a nação, foi um pigmeu, e, se não fora um rei, teria sido um vilão; mas veio Metz, e veio Sedan, e o império, que se fizera por quarenta e oito milhões de francos na noite fatal do crime em 1852 caiu de vez em Sedan, no dia da vindicta guerra em 1870.
A Alemanha julgou-se bem, julgou-se vitoriosa.
Foi um engano.
Militarizou-se para a unidade, mas armou contra o espírito da côrte o espírito da canalhice.
Criou a miséria que não tinha, em vez da pobreza que já existia; fundamentou o ódio às divisas militares, em vez da simpatia ao gênio belicoso; restabeleceu o alto censo, o censo aristocrático, e pôs-lhe diante o proletariado — e com ele a miséria.
Queria a segurança, criou a dúvida. Queria a unidade, criou a separação. Queria a força, baseou a fraqueza; julgou fazer um grande bem; fez o maior dos males.
E tudo isso porque?
Porque foi vencedora da guerra.
Porque conquistou Lorraine, porque adquiriu Alsácia, porque derrotou Paris, porque abateu cidades.
A França vingou-se.
Adquiriu a república, adquiriu o trabalho, adquiriu capitais, adquiriu o bem.
E porque tudo isso?
Porque foi vencida, porque não conquistou, porque não derrocou cidades.
A Alemanha tem hoje a dívida, o descrédito, que é a pobreza.
A França tem o capital e o crédito, o que é a riqueza.
Berlim tem ainda hoje hostilidades; Paris tem e terá a exposição que é a conquista do trabalho, que é a decisão do trabalho, que é a vitória do trabalho.
E o que pode salvar hoje a Alemanha?
O que pode desfazer as dívidas, distribuir capitais, criar e procriar os bens que tem a França?
A nossa doutrina — o socialismo moderno; a grande lei filosófica, que é a máxima — ciência social.
EDITORIAL
Desmoronamento.
Há duas grandes personalidades que assemelham-se em muito.
Uma etnográfica e outra individual; a primeira é uma restrição antropológica, a segunda uma concessão moral.
Aquela denomina-se povo e nação, esta denomina-se homem e pessoa.
O individual que generaliza-se transforma-se em coletivo, é uma indução; a generalidade que se especifica, que se restringe chega à individualidade, é uma dedução.
Uma e outra tem imediatos pontos de contato.
..... ... .....
Tomai o indivíduo; estudai-lhe a personalidade, isto é, a autonomia que é o poder de responsabilidade.
Tomai o povo; referi-lhe o direito de responsabilidade, o que é autonomia.
Tereis o direito e o dever individuais, tereis o direito e o dever nacionais.
Estendei a esfera das relações; saí da nação para as nações; visai o que de relativo e de referente existe entre elas, aí tereis os direitos e deveres internacionais.
Os indivíduos, as famílias, os estados, os povos, as nações terão entre si direitos e deveres; terão uma soma de responsabilidade relativa e muitas vezes recíproca.
Os indivíduos depreciam-se porém, decaem moralmente por circunstâncias acidentais; voluntárias, livres até; essa decadência irá refletir-se inteira sobre o coletivo.
Recordai a história, a boa mestra.
Evocai o Egito, evocai a Grécia; exumai esse enorme esqueleto sepultado sobre as sete colinas por Alarico, por Genserico, por Attila e por Odoacros.
Evocai Rômulo e os reis perversos; desenterrai Sexto-Ta[ilegível]quínio, desenterrai Ápio Cláudio; arrancai o sepulcro Calígula, e reparai nos indivíduos.
Aqueles produzem um povo rapaz e desonrado; estes querem multiplicar uma geração desonesta; um violentar a família, violentando a mulher; outro violentando os sentimentos e desonrando-se a si.
Generalizai tais indivíduos, elevai-os à coletividade; julgai-os influenciando diretamente sobre centenas, sobre milhares de outros, e tereis o mal, tereis o crime generalizado — nacionalizado.
—
Por outra.
Atribui a um progenitor, a um pai um organismo gasto na crápula, corrupto na volúpia, envelhecido no vício; sêde mais benévolos, mais filósofos; atribui-lhe um vício de organização ingênito, e dai-lhe descendentes, dai-lhe uma prole.
Observareis a lei biológica, isto é, a manifesta e incontestável hereditariedade.
O que aconteceu ao pai, ao progenitor? Morreu... periódicamente, paulatinamente.
O que acontecerá aos filhos?
Morrerão sem nunca ter vivido.
E então?
Um organismo que nasceu funcionando mal e que morreu por não funcionar nem péssimamente.
Chamai ao progenitor, ao pai metrópole — Portugal por exemplo —; chamai ao descendente, ao filho colônia — o Brasil por exemplo... e conclui.
O organismo deste pode ser levantado, revivido pelo artifício, pela ciência e mais tarde pela natureza.
É preciso porém empregar meios físicos, o trabalho, por exemplo.
É necessário o emprego de meios intelectuais, a instrução, por exemplo.
É forçosa a prática de meios morais, a educação, por exemplo.
É indispensável a soma de meios sociais, a divisão e utilização do trabalho, por exemplo.
É essencial a aplicação de meios políticos, a liberdade por necessidade.
Será um organismo novo.
E quando ao contrário seguirmos o que foi e o que é molesto?
Tudo estará perdido, exceto o desmoronamento que será o único meio de salvação apontado pelo destino aos impudentes vencedores da terra natal.
Ministério da Fazenda
O vício gangrena o espírito como o veneno putrefaz o organismo.
O indivíduo pernicioso na família é uma pústula de vírus transmissível; muitos indivíduos viciosos nas nações são agentes de morte moral.
Debelar o vício é tanto é tão baseado dever quanto fazer cicatrizar a pústula.
Não fazê-lo, tendo poder, é perversidade.
—
Os corpos sociais viciam-se, corrompem-se, esfacelam-se e aniquilam-se também.
Há uma causa única: o vício.
Pois bem, entre nós, projeta-se e decreta-se; decreta-se e legisla-se; legisla-se, sanciona-se; sanciona-se e defende-se o vício.
Condenar e absolver é uma antinomia.
Julgar mal e julgar bem ao mesmo tempo e ao mesmo fato é um absurdo.
Querer e não querer simultaneamente é o impossível.
Às vezes a lógica imperial defende tudo isso, justifica tudo isso, e garante tudo isso; exemplo:
O ministro da fazenda e as Loterias.
O vício andrajoso, o vício descalço, o vício das calçadas, dos bordéis, das tavalagens é condenável e está condenado.
O vício de casaca, o vício de botinas, o vício de salões, o vício das bancas e dos banqueiros é aceitável e é justificado.
Proíbe ao proletário gastar 2, consente ao rico perdular 200.
Fazei a comparação, estabelecei a proporção, e tereis que o rico relativamente gasta, joga e perde o mesmo valor que proíbem ao proletário.
É lógico? Talvez no império.
É legal? Talvez no império.
É conceituoso? Só no império.
Então?! Suprime o jogo. Dizei ao governo: é uma indecente ação; dizei ao governo: estás arruinando ao povo e ao país; dizei ao governo: é um roubo o que chamais loteria.
Aboli-o de uma vez e tereis cumprido vosso dever.
—
ATOS QUE MERECEM REPROVAÇÃO
A decisão da maioria do supremo tribunal de justiça. (Quanto ao cumprimento da lei, a respeito do Sr. Saturnino F. de Veiga).
Expedição de ordens do ministério da justiça ao da marinha afim de recolherem ao presídio o infeliz náufrago e galé há pouco remetido pelo consul brasileiro dos Estados Unidos.
* * *
A continuação do Comandante de polícia no referido cargo, em vista do é público e notório.
—
GAZETILHA
O Sr. Visconde de Prados — Acaba de enviar para o Rio Bonito 60 praças, afim de inspecionar o próximo pleito eleitoral, também seguiram outras para diversas localidades.
Estelionato — Afirmam-nos estar uma forma notável desta praça implicada em um processo que corre na 3° delegacia.
Abafem-no.
Fornecimento às forças que se acham em Mato Grosso — Consta-nos que alguns italianos contrataram em Mato Grosso o fornecimento para 2000 e tantas praças à razão de 800 e tantos réis a etapa cujo contrato finda em dezembro, tendo sido rejeitada pelo Sr. Marquez do Herval uma proposta em abril deste ano na qual forneciam 670 réis entrando o pretendente do contrato com apólices para o tesouro como segurança.
S. Ex. o ignorará?
Propaganda socialista — No sábado 3 de agosto distribuir-se-á o 3° número desta folha, contendo as seguintes teses:
O que quer o partido socialista no Brasil?
Suas doutrinas são benéficas?
O país progredirá tendo à sua frente o partido dos socialistas?
Em que aproveita este acontecimento futuro às classes desfavorecidas?
Chamamos para esse número a atenção dos brasileiros que almejam uma época feliz para sua pátria.
Imprensa — Recebemos os ns. 53, 54, 55, 56 da República, o n. 27 do Domingo, o n. 9 da Internacional Socialista (da Bahia) e os Diários da Tarde, ns. 1 e 2. Agradecemos.
Letras falsificadas — A Gazeta de ontem deu notícia de que haviam falsificado a firma do Sr. Barão de Muritiba.
O major Raimundo Duarte Bezerra — Este distinto voluntário da pátria acha-se presentemente desempregado e falto de meios para manter-se.
Nas mãos do cidadão Laffayette acha-se uma petição do nosso amigo, pedindo um lugar vitalício em Pernambuco. Provavelmente o Sr. Vila Bela tem em vista preterí-lo por algum dos seus inúmeros parentes ou afilhados.
É conveniente publicarem o nome desse a quem destinam um presente de Grego.
O Sr. Major Bezerra [ilegível] desta política patrocinada pelo Sr. Pedro II.
O Sr. fiscal da freguesia da Candelaria — Quando passamos pelo Beco dos Barbeiros e o vemos completamente atravancado em caixões, ficamos convencidos de que os Srs. guardas ocuparam-se de outras explorações.
« O Tagblatt », jornal que se publica em Berlim, afirma que o governo alemão trata de restabelecer a prisão por dividas.
O parlamento do comércio em Krenioberg, Dautzig, Colonha, Frankfurt, Hamburgo, já se tinha pronunciado em prol dessa medida.
Câmara Municipal — Alguém nos previne de um negócio preparado depois de um Sr. vereador propôr a extinção das carroças de eixo.
É bico ou cabeça?
O Diário Oficial — Sabemos que existe uma folha do governo na rua da Guarda-Velha e uma confeitaria, na rua do Ouvidor, onde é encontrado o factorum da situação.
O que ignoramos é quem escreve em uma folha oficial — Batatas... e batatão num artigo de perseguição!
É boa.
Câmara dos Srs. Deputados — Não há neste bom Brasil quem desconheça que o governo atual entregou as províncias água a alguns conselheiros, afim de prepararem novos designados para o parlamento.
Que os conservadores procedessem deste modo, era tolerável; porém os liberais! Os declamadores de 1877!!!
..... ... .....
Isto é para desanimar.
O Sr. Ministro da Fazenda — S. Ex. sendo como é cumpridor da lei, não estranha esta interrogativa.
O Tesouro tem absorvido os débitos de fianças prestadas por uma enormidade de cortesãos?
..... ... .....
Avante Sr. Conselheiro, e... um passo.
BOATOS
É verídico ter o governo alojado o Dr. Joaquim Manoel de Macedo da chapa de deputados pela província do Rio de Janeiro.
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O Dr. Victório da Costa agradeceu a proposta que lhe fizeram concedendo-lhe uma cadeira no parlamento.
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Na freguesia da Glória teremos grande folia pelas eleições.
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Os Srs. Drs. Perdigão Malheiros, Chagas Rosa, Carvalho, Joaquim Pedro, Izidoro Moraes, Tomé Madeira, Fernando Batista e muitos outros pretendem pleitear com entusiasmo as eleições na freguesia da SS. Sacramento.
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Dizem-nos que estão definitivamente demitidos os Srs. Diretor e Vice-diretor dos telégrafos.
O comércio agradece ao Sr. conselheiro Sinimbú tal medida em vista da morosidade há muito notada, devido talvez ao péssimo estado das linhas.
—
PUBLICAÇÕES A PEDIDO
A justiça do imperador.
Há pouco tempo chegou ao império do mais sábio dos reis, do mais munificiente dos monarcas, um súdito brasileiro, que perdera os direitos de cidadão porque era um assassino e um calceta, que deixara assombrar-se pelo pensamento de liberdade, e pusera em execução a fuga.
Após caprichos do destino ou dos elementos; depois da fome, da sede, da nudez, da inanição, e quase da morte, foi retirado de uma jangada que lhe servia de leito de moribundo sobre o mar que devia servir-lhe de sepultura.
O desgraçado galé foi conduzido à república da união americana, e faminto, nú, cheio de mágoas e de desespero; privado de transmitir seus pensamentos, porque não falava a língua do país a que aportou, estava entre dois extremos: o crime ou a morte.
Procurou uma autoridade de seu país e por desgraça enfrentou com um consul privativo do imperador brasileiro.
Esse indivíduo, antigo republicano e[ilegível] o império e hoje monarca sistemático junto à república, quis mais uma vez, do alto de sua autoridade consular, prostar mais um serviço gratuito ao rei que nomeou-o e ao ministro da justiça.
Era ocasião de encontrarem-se três transfugas.
Dois republicanos que fugiram para a monarquia; um com a farda de consul, o outro com a casaca bordada de ministro (não podemos empregar a frase do Sr. Silveira Martins); o terceiro ainda com a grilheta a pesar-lhe junto ao remorso do crime.
O consul enviou o foragido ao governo do seu rei, o ministro entregou o galé ao seu imperador, e o galé, que era aliás um homem livro na terra de Franklin, veio no seu país, pela vontade de uma autoridade brasileira, e quem sabe se por pequenez de espírito da coroa, a ser o novo calceta Manoel Gomes.
Queria aplicar o perdão e... coitado!.. Depois de 12 anos de prisão e de trabalho, depois da fuga, depois da fome, da sede, da miséria, da luta com a morte, foi traído pelo consul, traído pelo ministro da justiça, e de novo condenado pelo mais sábio dos reis, o Sr. D. Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo... etc. Gonzaga.
E viva a prática dos transfugas que absolvem-se a si condenando os desgraçados!
—
Lê-se na República de 21 do corrente:
« O socialismo alemão — Ao primeiro rumor do tiro de 7 de Maio disparado, segundo se disse, contra o imperador Guilherme, tomou o príncipe de Bismarck a atitude que lhe convinha. O acusado desse crime, Emílio Henrique Hödel, moço de 21 anos, natural de Leipzig, foi tido, ora como agente do clericarismo, ora do socialismo, averiguada, ou não, a origem a que se devia atribuir a resolução do desditoso jovem o chanceler germânico apresentou ao reichstag um projeto de lei proibindo as reuniões e trabalhos socialistas.
Apesar da maquiavélica brandura com que o defendeu o general Moltke, o projeto foi rejeitado em 26 de Maio, por uma grande maioria.
Mas, no dia 2 de Junho, o imperador é ferido e gravemente por um tiro de espingarda. Desta vez não havia dúvida; o assassino, o Dr. Carlos Eduardo Gustavo Nobiling, natural de Posen, onde nasce, em 1848, foge e tenta suicidar-se, ficando mortalmente ferido [e] sendo preso.
A polícia prussiana então entrou em plena atividade compressora.
Muitos proprietários de fábricas e estabelecimentos industriais publicaram proibições aos seus operários e empregados de fazerem parte de associações ou terem relações de qualquer natureza com socialistas. A leitura dum jornal suspeito é um motivo para expulsão.
A escola de operários, mantida em Berlim pelos socialistas, foi varejada pela polícia; os papéis do diretor, o Dr. Kerner, e do gerente Milke, foram sequestrados; esperam-se grandes revelações daí!
Avalia-se facilmente o rigor com que tem procedido o poder policial de Bismarck. O general Moltke declarou que, ao deixar-se continuar a liberdade até agora concedida, a consequência, isto é, a defesa que o governo oporia em qualquer tempo seria triste, mas inevitável. Talvez convisse, a ele próprio, consentir nessa liberdade, quer nos parecer. »
O Taglebat, jornal de Berlim, anuncia dissolvida pela autoridade a associação eleitoral socialista de Wiesbuden; que se proibiu a reunião de operários socialistas que se devia efetuar em Magderburgo; estando, porém, dispostos os promotores da reunião a realiá-la em Hamburgo ou em Gotha, e, na impossibilidade, fretariam um vapor e iriam conferenciar em qualquer ponto do mar do Norte.
De Leipzig escrevem à Gazeta de Colônia que o Centro Socialista publicou um manifesto, convocando um congresso. Os assuntos a tratar eram: 1° Informações da comissão central socialista da Alemanha a respeito da propaganda feita pelo partido nos últimos 12 meses; 2° Informações dos membros socialistas do parlamento alemão sobre o procedimento que tem mantido naquela assembléia; 3° Discussão sobre a situação democrático-socialista e a respeito da proteção do livre-câmbio; 4° Propaganda socialista; 5° Imprensa socialista.
O antagonista do imperador Guilherme é pois dos mais respeitáveis. Quando mesmo apareçam no seio de tão numeroso partido um ou outro exaltado, e até criminosos, está patente que os lamentáveis sucessos de Berlim serviram perfeitamente à política interna do império; invocando os dois atentados cometidos acha Bismarck um pretexto para comprimir com guante de ferro as longas e laboriosas aspirações do espírito popular na Alemanha que tão seriamente ameaçavam o trono prussiano.
Consegui-lo-há?
Cumpre não esquecer que nas eleições de 1877 os votantes socialistas foram 485.000 e elegeram doze representantes no parlamento alemão. Há atualmente em toda a extensão dos domínios do imperador Guilherme 42 jornais socialistas, dos quais 25 impressos em tipografias pertencentes ao partido.
—
Designados.
O povo conhece os futuros representantes que hão de formar o parlamento em Dezembro.
Isto está com os discursos dos Srs. liberais de 1877?..
Ora bolas.
—
Capoeiras.
Os partidos liberais e conservadores tomaram a si uma tarefa que muito agradará ao patriótico bahiano e notável chefe de polícia Sr. Tito de Matos, ocultando-os para promoverem o alarma no próximo 5 de Agosto.
Se votantes, chamam-se estes agentes dos partidos da monarquia; então, é melhor consultar algum espoleta e fazer a eleição no gabinete.
Um observador.
—
Voluntários da pátria.
O país que aprecie este fato que o Sr. Depositário público testemunhou:
Mandou procurar alguns homens para lavarem seu armazém e teve o dissabor depois de executado o serviço, de verificar que um dos ganhadores era um Al[ilegível] honorário!
Hervalhada.
—
Jogatina.
No beco do Carmo, na ponta do Cajú, S. Cristóvão, ruas do Catete, Uruguaiana, Prainha, Borbonos, Lavradio Mata-cavalos, Santa Tereza, Sabão do Mangue e etc. Niterói, etc. etc. etc. existem muitos personagens que se entretém durante o dia em tal ociosidade sujeitando-se a todos os papéis que o jogo distribui.
Entretanto o Sr. Tito cochila, porque alguém do outro lado também quer distraír-se!
Algumas vítimas.
—
Polícia da côrte.
Fique o povo desta capital sabendo que o desbragamento do que é ignóbil chegou ao auge e... nada de providências da parte do Sr. ministro da justiça!
Um indignado.
—
Loteria.
Decisões proferidas pelo supremo tribunal de justiça sobre Saturnino Ferreira de Veiga foram um princípio estigmatizador para o direito que assiste à humanidade!
Negaram-lhe Habeas-corpus por um voto de maioria!
..... ... .....
Foram 15 os anciãos que cumpriram a lei ou que prevadicaram-na; alguns optaram pela liberdade do referido Saturnino, por falta de base legal na prisão; outros: cumpriram seu fado, correrem o ferrolho na prisão do paciente... e nada mais!..
Porém, onde existe a lei?
Quem a esfacelou?
É o que torna-se-nos preciso sindicar para dar publicidade a este povo que vive no indiferencialismo.
O silêncio dum legista.
—
Um crítico.
Há duas apareceu um papelucho com o título de Patinador, em seu programa fala de mediocridades... ora Sr Zaul, basta.
Um que sabe e tem sua volumosa causa.
——
Typ. do distrito, r. Nova do Ouvidor n.22.
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