Camatte: A árvore indica que tudo é vida
(Van Gogh. 1889. Pinhais ao pôr-do-sol.)
Nota de tradução
O presente texto, que traduzo do italiano, foi retirado de Opere di Jacques Camatte VI: Comunità e divenire: Prima parte, tornado em domínio público por Alberto Lofoco e Renato Varani, disponível para download em: ilcovile.it. (Straw).
União da Vitória, 17 de outubro de 2026.
A árvore indica que tudo é vida
A árvore testemunha a união do céu e da terra-solo na qual elas enxertam múltiplas formas de vida. Testemunha a comunidade, não sendo uma entidade separada e existindo somente através da união com outras formas de vida, como as bactérias, os fungos, etc.
Testemunha a floresta (que é ela mesma uma comunidade), a mais poderosa forma de manifestação da vida para proteger o solo, o qual, por sua vez, protege a rocha-mãe — fenômeno que desacelera o resfriamento do planeta graças à irradiação da energia do núcleo!
Testemunha a união, assim como a nossa rejeição da separação enquanto tal, mas também a rejeição de todas as uniões artificiais ilusórias (comunidade abstrata, Estado sob qualquer forma, racket), que se realizam mediante o domínio dum grupo humano sobre um outro: os homens sobre as mulheres, os patrícios sobre os plebeus, os feudais sobre os burgueses e os camponeses, os burgueses e em seguida os capitalistas sobre os proletários...
Por vezes, a união foi posta como reconciliação entre homens e mulheres, esquecendo-se da separação fundamental e fundadora, a de todos os seres vivos.
Em fato, somente havendo uma reconciliação com todos os seres vivos poderia haver uma verdadeira comunidade, onde não exista mais o problema do poder e do amor, mas na qual reine a participação radiante.
Reencontrar-se em continuidade, como a árvore na natureza da qual é parte integrante, é a única via para regenerar a natureza e para regenerar a nós mesmos. Poderia novamente realizar-se o pleno prazer da participação no cósmo, cujo é possível agora, abandonando o mundo do capital.
1991.
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